Engenharia: o curso de graduação que mais produz milionários no mundo

28/11/2013 02:10

Por Sérgio Faria, Quintal da Engenharia

Um recente estudo feito pela  WealthInsight & Spear’s  aponta que a Engenharia é o curso de graduação que mais produz milionários no mundo. Porém não se deixe enganar acreditando que a riqueza foi adquirida pela simples aquisição de conhecimento e graduação, pois o alcance de status de milionário desses graduados deveu-se ao empreendedorismo e riscos técnicos ou de engenharia, assumidos. Com relação à pós-graduação a Engenharia obteve a terceira melhor colocação e relaciona principalmente as áreas de gestão.

O estudo feito pela WealthInsight & Spear’s  também mostra que o antigo sonho de abandonar a escola e tornar-se rico, como foi o caso de Bill Gates e Mark Zuckerberg, é exatamente tão irrealista quanto parece. Portanto, faz-se lembrar que 99% dos milionários do mundo têm um diploma universitário.

Segundo Josh Spero, editor da Spear’s: "Os empresários, que por fim, acabam sendo os mais ricos do mundo, são inovadores, são incentivados e incentivam o pensamento novo e inteligente, seja técnico ou financeiro... Mas também não é surpresa achar que as pessoas mais brilhantes são as que estudam nas melhores universidades e muitas vezes abandonam o conhecimento adquirido pela graduação em busca da fortuna”.

Segundo Shawn Wasserman , editor da Engineering.com, das 500 universidades pesquisadas, 43% estão em os EUA, 8,4% no Reino Unido, e de 5,4% no Canadá e França. Assim, o estudo constatou que a maioria dos milionários foram educados nos EUA ou no Reino Unido. No topo da lista estava Universidade Harvard, produzindo muitos graduados de prestígio, incluindo Ralph Nader, EE Cummings, e o presidente Barack Obama.

Segundo ainda a  Statistics of Academic Ranking of World Universities - 2013 de acordo com a classificação, por continente e país de origem, das  500 maiores universidades do mundo, independente da graduação, o Brasil possui uma entre as principais duzentas, uma entre as trezentas, e cinco e seis entre as quatrocentas e quinhentas melhores Universidades do mundo, respectivamente. Todas as seis Universidades       brasileiras são federais.    

O intuito das considerações não demerita, contudo à Engenharia ou  Universidades brasileiras, mas sim objetiva o esclarecimento quanto ao tema da publicação. Já não bastasse as considerações infelizes feitas pelo Ministro Moreira Franco sobre a qualidade da Engenharia Brasileira, recentemente, e que fora repudiada em todo o pais, por profissionais do setor e vários conselhos regionais.

 Não entrando no mérito quanto às considerações do senhor Ministro, porém  justificando a discrepância quanto à classificação do Brasil no ranking, a Engenharia aqui desenvolvida caminha à passos largos, e a qualidade praticada é inquestionável, no que tange os aspectos qualitativos. Os  grandes impedimentos, na maioria dos casos se dão por  incompetência da gestão pública e por certo também aspectos  culturais e financeiros que promovem, no caso de licitações públicas, projetos básicos à custos que não condizem com a real necessidade. Ao contrário, o governo  daqueles que ocupam o topo do ranking, financiam e incentivam projetos universitários, que em grande parte das situações são os verdadeiros pilares da máquina pública.

O governo brasileiro, apesar das considerações negativas anteriormente citadas, tem desenvolvido recentemente  uma política industrial, tecnológica e de comércio exterior chamada “Plano Brasil Maior”, que concede benefícios em relação aos Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI) para as empresas que estimularem e investirem na inovação de pesquisa e desenvolvimento dentro do Brasil, como por exemplo o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores (Inovar-Auto) que objetiva o estímulo do investimento na indústria automobilística nacional.

O estímulo apresentado pelo governo, talvez seja, primeiramente de âmbito e interesse da classe empresarial. Aos Engenheiros cabem acreditar que essa seja a ponta de um iceberg que tende revelar grandes perspectivas para o desenvolvimento da tecnologia nacional, de modo a instigar o empreendedorismo da classe e porque não uma posição entre os países que mais produzem Engenheiros milionários no mundo. Quando digo acreditarmos, leia-se, monitorarmos e assumirmos desde já, riscos condizentes com a real necessidade de progresso seja ele relacionado à graduação, status social e financeiro ou comprometimento com a instituição a qual fazemos parte.