Inovar-Auto criou alta de demanda por engenheiros no Brasil

10/10/2013 06:39

Por Maira Nascimento.

 

O contingente de engenheiros disponíveis atualmente no mercado brasileiro será insuficiente para atender à demanda da indústria automotiva criada pelo Inovar-Auto. Essa foi a discussão central do painel de encerramento da 22ª edição do Congresso e Exposição Internacionais da SAE que reuniu Cledorvino Belini, presidente da Fiat, Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e Sandro Beneduce, presidente da Continental Brasil e Argentina, além de Donald Hillebrand, presidente SAE International 2013.

Para Belini o Inovar-Auto tem em sua essência desafios ousados para a engenharia brasileira e acredita que para o setor dar conta da alta demanda os centros de desenvolvimento das empresas aqui instaladas terão de contribuir para acelerar os processos: “A engenharia brasileira é muito boa em adaptar as coisas que já foram desenvolvidas em outros países, mas esta nova fase exigirá muito mais”.

O executivo não descartou, inclusive, a hipótese de engenheiros serem trazidos de outros países para trabalharem nos projetos brasileiros: “Acredito que a própria América Latina pode abastecer essa lacuna”.

O intercâmbio de engenheiros e de informações de pesquisa e desenvolvimento já é uma realidade na M-B, contou Schiemer, citando que as necessidades peculiares do mercado brasileiro sempre exigiram essas ações de troca de experiências: “Agora, mais do que nunca, precisaremos dessa corrente para oferecer as tecnologias viáveis ao mercado brasileiro de maneira ágil”.

Schiemer disse ainda que a falta destes profissionais para suportar o desenvolvimento técnico coloca em risco a competitividade do País, e que acredita que as empresas precisam criar condições para que eles permaneçam no setor oferecendo planos de carreira, por exemplo.

Embora reconheça que a disponibilidade de engenheiros é baixa no Brasil a Continental se vale do atual contingente de engenheiros de seus centros de desenvolvimentos em todas as localidades para atender no tempo certo às ofertas de tecnologias por aqui, contou Beneduce.

Ele acredita que o novo cenário das tecnologias de conectividade dos veículos também exigirá um novo perfil profissional: “A informação será o petróleo do século 21, e isso exigirá uma evolução também da engenharia”.

Os executivos foram unânimes quanto aos benefícios das parcerias das empresas com o meio acadêmico. Para Hillebrand essas políticas de integração são fundamentais para a formação de contingente de técnicos, cientistas e engenheiros, e parte desta responsabilidade recai sobre as empresas: “É preciso criar um cenário atrativo para estes profissionais”.